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Ação AVC

Novo exame de imagem amplia em 6 vezes precisão para identificar câncer e AVC

 

Exame de imagem promete revolucionar diagnóstico de câncer Divulgação

Quem já enfrentou um câncer ou conhece alguém que já passou por esse drama já sabe: identificar o tumor no início amplia as chances de cura do paciente. Um exame ainda em testes na Alemanha poderá acelerar o diagnóstico e o tratamento de câncer, AVCs (Acidente Vascular Cerebral) e doenças neurológicas. E mais: com uma riqueza de detalhes muito melhor.

Uma PPP (Parceria Público-Privada) firmada entre a Universidade de Magdeburg, a Siemens e mais de 20 pequenas e médias empresas e institutos de pesquisa criou o Stimulate (Centro de Soluções para Terapias por Imagem, na sigla em inglês).

Médicos, engenheiros e outros profissionais trabalham para aperfeiçoar as terapias de imagem guiada, diz o diretor do projeto responsável pela área de computação, Bernhard Preim.

— Isso é bom para o paciente, porque os traumas são menores, e bom para os médicos, que demandam novas tecnologias. Entre 2007 e 2050, só na Alemanha, os casos de demência devem crescer 155%, enquanto os de câncer, 52% e os AVCs, mais de 100%.

Para diagnosticar e tratar essas doenças, a PPP desenvolveu uma máquina capaz de oferecer um exame de imagem com detalhes minuciosos – que vão muito além do que se encontra nos hospitais atualmente. Trata-se de uma tomografia computadorizada, mas com um sistema capaz de gerar 30 imagens por segundo – atualmente, são até 5 imagens por segundo.

Quer dizer que a precisão ficará 6 vezes maior e será mais fácil diagnosticar doenças como câncer, AVC e doenças do cérebro em geral — como os aneurismas cerebrais, por exemplo.

Um dos líderes da pesquisa, o doutor em neurologia da Universidade de Magdeburg Oliver Beuing explica que a ideia “não é fazer o exame mais rápido, mas, sim, deixá-lo mais detalhado com mais possibilidades”. Logo após o diagnóstico, explica, o médico poderá fazer a cirurgia no mesmo lugar, ampliando as chances do paciente.

— Para alguns tratamentos de emergência, você precisa de informações que você não consegue só com a tomografia computadorizada. É por isso que desenvolvemos um equipamento que possa diagnosticar e tratar o paciente, evitando tirá-lo da mesa e leva-lo para outra sala de cirurgia. Então, a gente economiza muito tempo.

A comunidade médica e os pacientes, porém, terão que esperar, porque a expectativa é de que o novo exame só esteja disponível no médio prazo. Beuing afirma que ainda é preciso “aperfeiçoar a apresentação dos dados que esse equipamento é capaz de conseguir”.

— A gente já está testando em alguns pacientes, mas, como ainda faltam alguns detalhes, eu espero ver nos hospitais entre 3 e 5 anos.

Com novo exame, médico poderá tratar câncer ao "cozinha" tumor Divulgação

Integração médico-máquina

Uma outra tecnologia, chamada MRI, quer aproximar cada vez mais o médico do equipamento de última geração para fazer as cirurgias — que precisa de uma sala de ao menos 25 metros quadrados. A doutora em física experimental Urte Kägebein, da Universidade de Magdeburg, explica que, “com esse equipamento, você consegue imagens detalhadas com até 0,3 milímetros”. Em seguida, comemora: “Isso sim é alta resolução”.

— Imagina um paciente que tem um câncer no fígado. Ele tem duas opções: uma cirurgia para retirar o tumor ou fazer quimioterapia, que não é um tratamento simples porque, no fundo, todo o corpo é tratado. A cirurgia também pode não ser um bom caminho, especialmente para pessoas mais velhas.

Com o novo exame de imagem, será possível oferecer ao médico — e ao paciente — uma terceira opção. A física afirma que a ideia “é tentar acabar com o tumor onde ele está”.

— Um instrumento passa pela pele, chega até o alvo e, então, começa a esquentar, chegando a 90 graus Celsius. Na prática, cozinha o tumor e ao redor. Então, é possível necrosar ao redor do tumor. É uma boa ideia porque o paciente vai para o hospital dois ou três dias antes da cirurgia, passa pelo procedimento e dois dias depois ele pode ir para casa de novo.

No entanto, alerta que o procedimento não será possível para pacientes em que “os tumores estão espalhados pelo corpo ou são muito grandes”. Ainda não há previsão para a máquina com a nova tecnologia chegar ao mercado.

Formado por uma PPP, o Stimulate foi criado em janeiro de 2015, recebe um aporte anual de 2 milhões de euros do governo alemão e terá financiamento pelos próximos 15 anos.

A Siemens, em contrapartida, complementa o orçamento com recursos que podem se equiparar com os do governo alemão – ou seja, pode aplicar até 2 milhões de euros a mais. Quando concluído, a empresa ganha o direito de patentear ambas as tecnologias.

*O jornalista viajou a convite da Daad (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico)

Fonte: R7